|
Sexta-feira, Maio 2
Zum Geburtstag viel....was?
As vivências da vida e a vida das vivências.
No dia 19 de Abril o PPZ fez 4 anos de idade segundo sua certidão de nascimento documental. É, até onde se sabe, blogs não têm certidão de nascimento (ainda bem). O que acontece é que antes deste endereço aqui o PPZ existiu por cerca de dois meses em outro domínio (se eu não me engano era plunctplatzum.blogspot.com.br) que foi substituído por motivos claros: o primeiro - óbvio - era o tamanho do endereço, absolutamente impossível de ser memorizado; e o segundo era a funcionalidade primata do servidor que tinha milhões de tags de HTML absolutamente mirabolantes que dificultavam o gerenciamneto de um blog minimamente apresentável. Foi daí então que o PPZ se mudou para o endereço atual, onde mora até hoje e não pretende se mudar tão cedo. O aniversário do blog em abril é mais uma oportunidade de refletir sobre a vida do PPZ do que pra celebração propriamente (e este foi um tema marcante através dos post).
***
Antes, o PPZ era visualmente mais descolado, tinha uma barrinha lateral com links para sites/blogs/flogs de amigos que era atualizada mensalmente. É calro que isso se mostrou um dever estorvante e também um pouco fora da idéia do PPZ. Pra começo de conversa, se alguém entra no meu blog, é para lêr o que tem escrito nele, e não para fugir para outros sites, que para mim é a função de qualquer weblink. É justamente por isso que na época troquei o layout que imitava um papel amassado pelo fundo branco. Além de prejudicar a leitura na tela, a imagem de fundo deixava a página bem mais pesada, o que talvez impedisse as pessoas com conexão mais lenta de me ler. Então tudo foi reformulado buscando a máxima praticidade possível, mesmo que isso rendesse algumas reclamações "miguxas" pedindo para eu "terminar" o layout do blog. O enxugamento geral do site resultou em um blog meio - hm - tosco, por assim dizer, já que todos tinham um blog cheio de blinkers, fotos (montagens toscas que não baixavam nunca) e links para qualquer-página-supérflua . A única coisa diferente é a imagem no topo que fica "perdida" no navegador 1280*960. Só. Nem histórico tinha.
**
Desde sempre a idéia do PPZ era a transgressão, só não sabia do que exatamente. Hoje olhando para trás, acho que dá pra ressaltar algumas principais:
(1) transgressão do bloqueio criativo
(2) transgressão das convenções sociais
(3) transgressão da repressão emocional
A primeira foi colocada em primeiro lugar com razão, afinal o motivo do nascimento do PPZ foi me obrigar a produzir textos, não importando o assunto, a forma ou o estilo. O segundo aparece em um ou outro ponto, mas sempre como um disparate fértil: alguns textos são pura provocação, e eu mesmo nem sei dizer se realmente acreditava naquilo que escrevi. Não posso dizer se elas funcionavam, mas reler as idéias mirabolantes que eu colocava - sempre na contra-mão do senso comum - parece ajudar na tarefa nº 1 de romper o farol amarelo do "não sei escrever" ou "não sei do que escrever". A terceira sempre veio na garupa das outras duas. Alguns posts simplesmente não faziam o menor sentido: aí está provavelmente a transgressão emocional, que também de certa forma ajudava a romper o bloqueio criativo.
Atualmente fica claro que todas essas molas que impulsionaram o PPZ por tanto tempo foram pro buraco. O espaço em branco do blog (outro tema recorrente) não consegue mais atrair minha atenção das atividades cotidianas - como planejado na sua invenção. As transgressões sócio-emocionais (?) também foram novamente reprimidas quando eu descobri que as pessoas lêem o PPZ - e o olhar do outro presente já vira uma nova a regra a ser obedecida. Acho que a única coisa que sobrou foi a a autonomia de criação - o PPZ reprova e sempre reprovou a prática do : ¡citar sim, enxertar, não! - independente do fato de alguém ler aquilo ou levar a sério - por exemplo, comparar a Elke Maravilha com o Bozo.
***
É interessante ver como os posts marcam de certa forma uma trajetória de mim. Eles fotografam algumas coisas que pensava, algumas dúvidas e angústias, outras convicções - que hoje não são tão convicções assim - ou mesmo fatos anedóticos que eu jamais lembraria se não fosse a escrita automática que o blog permite. Algumas idéias que estavam lá atrás bem toscamente esboçadas reaparecem ainda hoje, mas em ambiente acadêmico e recehadas de referências semio-lingüísticas. O fato de poder se ver assim tão desnudado em seu próprio texto levanta expõe algumas tripas morais que não sei se gostaria de evitar. Em primeiro lugar, a vergonha de ter escrito tão pessimamente algumas idéias que até eram interessantes. Quando se demole uma cidade para construir outra por cima, a nova estrutura urbana sempre se modifica por causa da velha. Com o PPZ aconteceu mais ou menos o mesmo: os escombros debaixo geralmente explicam os prédios da superfície. Os posts restaram então quase como documentos que reconstituem minha história pessoal. Se essa história é louvável ou deplorável, isso é outra história. De todo modo, é interessante assistir como o tempo se enreda.
***
Li em um blog quase-morto por aí que dá vergonha de ler coisas escritas antigas. Também ouvi de uma pessoa que admiro muito que depois de terminar um livro, a gente tem que jogá-lo pela janela porque depois ele vira um acúmulo difícil de lidar. Posso dizer que com o PPZ acontece um pouco dos dois.
***
A maioria dos posts que tinham fotos acabou se perdendo, pois o link saiu do ar e - a não ser em casos extremos - a preguiça e a avareza de espaço virtual não permitem que eu trabalhe a foto e salve-a no próprio servidor do blog. Algumas idéias dependiam completamente das fotos e por conta disso estão completamente perdidas hoje (A comparação do Bozo com a Elke maravilha já era, por exemplo...). É uma pena, tinham inutilidades bem interessantes =/
***
Existem uma infinidade de textos que citam de passagem algum tópico interessante com um parentêse prometendo um texto exclusivo. Como já dava pra prever, é claro que estes "textos-só-pra-isso" nunca foram escritos! Por um lado o excesso de brainstorm soterrou esses lampejos de idéias inusitadas - que aliás não consigo me lembrar hoje o que era tão interessante assim. Por outro lado, parece que depois de tanto tempo chegou a hora de desenterrar essas coisas e tentar montar alguma coisa a partir disso (Era isso que o Mohallem e o Duailibi diziam?)
***
Bom, no final das contas, pra onde vai o PPZ? Não sei, nem tenho como saber. Mesmo depois de quatro anos, não consigo ainda definir o que seja exatamente ou ou que eu pretendo com esse blog, que tem um pouquinho de Barthes, um pouco da Tabacaria de Pessoa, um pouco de Marc Bloch, um Eco do Eco, uma semente do Rosa, uns ares dos Campos, um pouco de tudo e que no final não parece com nada. Nadinha da Silva. Está mais pra coisa de Zé; dando uma de Miguel, nesse Tom desafinado, que deixa a gente cansado, de tanto matutar. Pra onde vai toda essa muganga de palavreado, que no final das contas, ainda não consegui definir? Nâo sei. Acho que vai ter que ser assim mesmo. O PPZ tá cantando parabéns, mas não sabe bem para quê.
|