Quarta-feira, Março 28


"O caminho do samurai é encontrado na morte.
Entre ela ou qualquer outra coisa, não há dúvida:
a escolha deve ser a morte."
(por Yamamoto Tsunetomo, em Hagakure)

"In order to stand for one's convictions,
live for one´s conviction, die for one´s conviction.
That´s how I lived my life."
(do personagem Iwao Hazuki, do jogo Shenmue)


300 de Esparta, se não é, pelo menos deveria ser o filme mais esperado do ano (ainda que a gente esteja apenas no começo do ano). Começa só de passar o olho: os cenários, todos gerados por computador, são maravilhosos e os personagens com figurinos e maquiagem impecáveis, fazendo com que ambos (personagens e cenários) fiquem realmente parecidos com o que são na Graphic Novel (hq ou gibi, se você preferir) de onde tiraram esta pérola.
Quanto a esta transfiguração dos atores, destaque para o que fizeram com o nosso tão conhecido ator brasuca Rodrigo Santoro: alguns quilos mais forte, alguns tons mais moreno, alguns piercings e tintas mais metrossexual e muito cabelo mais careca, não se parece em nada com o galã de nossas novelas, não é o Rodrigo Santoro, mas sim o próprio Xerxes (imperador persa e antagonista do filme).
Pelo que deu pra ver nos vídeos que tão rolando na internet, sua atuação é ótima, mas o que me preocupa é o fato de que ele foi dublado na versão original em inglês, para ficar com uma voz mais máscula. Devido ao seu problema com falas nos filmes que participa, talvez a crítica e o público no Brasil se preocupe mais com o fato de não ser ele falando, do que como ele está falando. Lembre-se de que é um quadrinho rolando na tela e preocupe-se com o que você está vendo e não ouvindo, e veja a atuação dele e o julgue pelas expressões faciais e corporais e descubra o porquê de terem escolhido ele e não outro ator para o papel.
Mas é por isso que todo mundo precisa ver esse filme? Por causa deste monte de questões técnicas?
Não.
Estes detalhes são apenas o toque final para transformar um roteiro incrível, uma HQ fantástica, em um filme único.
O filme conta a história da batalha de Termópilas, batalha ocorrida no século V a.C. em que os gregos defenderam o estreito de Termópilas contra a invasão persa.
Vemos neste filme 300 homens partirem em direção à morte certa nas mãos de um exército incrivelmente maior, desafiando os desígnios dos deuses e a lógica por amor aos seus ideais.
São 300 soldados decididos, seguros de seus ideais, que confiam inteiramente em seus companheiros e respeitam seu líder, não por temor, mas sim por admiração e que não temem em trocar suas vidas por suas lanças em uma batalha que já parece decidida antes mesmo de começar.
300 homens que, mesmo tendo a chance de continuarem vivos, preferem morrer por sua filosofia de vida.
Como diria um antigo samurai, Yamamoto Tsunetomo: ¿Todos nós desejamos viver. E, na maioria das vezes, construímos nossa lógica de acordo com o que gostamos. Mas não atingir nosso objetivo e continuar a viver é covardia.¿...
É um épico sobre coragem e determinação. Coragem para fazer aquilo que se acredita e determinação para jamais trair seus próprios ideais.
Tudo isso pode ser resumido por um único diálogo do filme: um persa diz que o exército que invadirá Termópilas é tão grande que quando seus arqueiros dispararem suas flechas, elas cubrirão o sol, então um espartano responde: ¿Então combateremos à sombra¿.
E é na defesa desses ideais que os espartanos nos mostram a diferença entre viver e vencer.
A vitória espartana é sua capacidade de não voltar atrás.
Sua vitória é se tornarem conhecidos por seu heroísmo.
Sua vitória é o fascínio que sua história exerce sobre contadores de histórias, seja esse contador um continuador da tradição oral, um historiógrafo grego, um quadrinista, ou um cineasta.
Como disse Getúlio Vargas: ¿Saio da vida para entrar na história¿.
Eles morrem.
Mas morrem para se tornarem imortais.

(Escrito por L. T. Gomediano)





Terça-feira, Março 27

Se eu dançar axé igualzinho todo mundo, vão me achar um cara legal. Mas se eu escrever um livro igualzinho ao Guimarães Rosa, vão me chamar de falsário e mal-caráter.





Sábado, Março 10

Arqui 90- 05. Fernando Henrique Cardoso (FHC)
Categoria:Cotidiano

Anets de mais nada: sim, FHC ficou na categoria 'cotidiano'. E porque não 'política'? Porque brasileiro não dá importância pra "essas coisas", afinal "odeia político" entre outras bobagens. Incluir políticos desconhecidos - ainda que tivéssem sido importantes - seria extremamente chatos, além de não terem marcado o imaginãrio coletivo. Ora, uma categoria só com políticos conhecidos (nem sempre populares!) deveria ser incluída - e porquê não? - com celebridades da moda, futebol e novela. Além disso, posts com nomes absolutamente desconhecidos espantariam as pessoas do blog, deixando a página às moscas, como o Senado às 3:59. Enfim, político no Brasil também é gente famosa.


"Assim não pode, assim não dá!"

Fernando Henrique Cardoso (a.K.a. FHC) era só mais um desses políticos desconhecidos que tem pasta do ministério de qualquer-coisa e, quando faz alguma declaração, ninguém dá a mínima. Porém, quando concorreu as eleições da presidência em 1994 contra aquele que se tornaria o inimigo mortal do PSDB pra sempre - Luís Inácio da Silva (a.K.a. Lula) - a história mudou por completo. Pelo discurso comportado e empolado de CARDOSO, F.H. - alguma coisa ele aprendeu (ou ensinou) na FFLCH/USP - o Brasil descobriu quem é mesmo que era o ministro da fazenda de Itamar Franco (a.K.a Topetinho, ou Devagar Franco). Um povo já traumatizado pelas cagadas épicas de Itamar e Collor, resolveu não arriscar em um "barbudo baderneiro de raízes comunistas" e votou - de novo - no almofadinha da vez.


CARDOSO, F.H., quando ainda era um fefeléchu fedorento, na época em que foi exilado e ainda não chamava os aposentados de 'vagabundo'.

Foi aí que se deu a transformação súbita. O presidente eleito transformou seu plano econômico da URV - uma medida muito da esquisita que quase ninguém entendeu direito na época - numa nova moeda: o Real. Além de sanear financeiramente as contas nacionais, agora o país tinha a cara de um grego nas cédulas ao invés dos simbolos consagrados nacionais que vinham estampados nos cruzados novos. Com números a menos e cores a mais, a nova moeda alegrou todo mundo. Paridade com o dólar, festa do povão: todo mundo conseguia comprar importados, desde carros e viagens para o exterior até carimbinhos do Ursinho Puff vindos da China.

A empolgação até que durou bastante, considerando os fiascos financeiros de Sarney, Collor e patota. Até que enfim, o Brasil parecia uma democracia de verdade. Chegaram as eleições de 98 e ninguém tinha coragem de não votar no FHC, ainda mais quando se tratava do "barbudo baderneiro" que ameaçava dar calote no FMI.


Fernando Henrique junto com Scolari: e depois falam da propaganda política do Médici...

Primeiro mandato foi uma maravilha, teve até taça de Copa do Mundo. Ou pelo menos era o que parecia. Quebra a bolsa do Japão, de Hong Kong, de Taiwan e vem abaixo todo o castelinho de cartões de crédito de FHC. Começam as privatizações de todo tipo de serviço que antes era estatal: estrada, telefonia, siderúrgica, banco, não sobrou nada no lugar. Então, toca a recorrer ao FMI, pegar empréstimo, negociar metas de crescimento e todos os acontecimentos que são noticiados em economês, que ninguém entende.

Também ficou famoso por viajar compulsivamente pelo exterior, "cumprindo agenda diplomática". A situação foi piorando até que, nas eleições de 2002, não pôde se candidatar a reeleição e seu candidato perdeu - para desespero dos parceiros tucanos - para o terrível inimigo Lula. Com 8 anos na presidência, Fernando Henrique foi o reizinho do Brasil nos anos 90 - apelidado eufemisticamente por alguns aritculistas como 'era FHC' - junto com seu parceiro gringo Bill Clinton. Foi tanto tempo que as pessoas esqueceram que existe outra política econômica além do neoliberalismo escancarado do Fernandinho.





Quinta-feira, Março 8

O "dia internacional da Mulher" já não é mais o que era pra ser. Virou, no máximo, pretexto pra peneirar estagiárias gostosas.

¿ Que tipo de mulher, exatamente, estamos celebrando ?











Esse papo de mensagem subliminar é coisa do capeta, que usa os evangélicos para pregar o mal. Todo mundo sabe que é tudo balela.