Sábado, Dezembro 31







Sábado, Dezembro 24

( não é porque a cabeça esteja em férias. mas um desabafo às vezes ajuda e ninguém entra na internet em fim de ano mesmo)

Não é cansaço. As pessoas se cansam fácil por qualquer coisinha. É relaxo. Porque de todas as outras vezes que eu pensei, pensei errado. E saiu tudo errado. E foi tudo como eu não planejei. As palavras saem voando por aí nem sei pra onde. Os bichos com asas merecem voar, e de fato, é maravilhoso ver um deles pelos ares. Por cima das árvores, por cima do mangue ou migrando pelo oceano. Dá um pouco de tristeza também. A silhueta que some no horizonte, indo pra longe e não se sabe quando volta, sem notícias por um bom tempo. Mesmo com a companhia de quem fica, dá um pouco de solidão. Mas quando é o contrário, não é possível descrever a alegria da chegada. Se tem alguma coisa que não mudou no mundo é o contentamento da chegada.

Não posso ter certeza. Mas acho que é essa liberdade que seduz. A incapacidade de apreender o que você diz é o que me deixa confuso e ao mesmo tempo contemplativo. Os sons da sua voz ficam farfalhando de vez em vez, com um bater de asas rápido e delicado. As cores dos seus olhos ficam piscando de vez em vez, embora na realidade eles pareçam apagados. Como uma criança, corro alegremente atrás das coisinhas que voam e fogem. Pombos, galinhas, vagalumes, borboletas, nunca conseguimos pegar nenhum. Mas com que felicidade as crianças perseguem-nos. Ter não parece ser tão importante.

Contudo, entristeço. Tudo o que busquei voou, me escapou e agora estou aqui, como uma criança descalça, sentada na calçada e comendo pipoca murcha. Nada mais chato que pipoca murcha. E nem vermelhinha é. Nada garante que teria sido melhor de outra maneira mas é tão ruim voltar pra casa sozinho. Ainda não chove, mas já está bem nublado. Quando os passarinhos voam baixo, é porque com certeza vem chuva. Tudo isso deve ser inveja ou desdém porque eu não tenho asas. Melhor eu apertar o passo porque senão me molho antes de chegar.

Penso em você mais do que você supõe. Mais do que eu gostaria às vezes. Suas manias, seu jeito de se portar, suas idiossincrasias, suas palavras complicadas. E estamos tão longe um do outro. De olhos fechados, universos problemáticos se confundem, se misturam. O pensamento se confunde junto com as palavras, que solto como uma criança atira com uma submetralhadora. E assim machuco quem não quero e quem não devia. No final, o resultado sai todo torto, como uma criança que desenha na parede com seu giz de cera. Ninguém entende. Se há próxima vez, não posso responder. Espero ganhar uma segunda chance, como uma criança espera ansiosamente o papai-noel. Hoje em dia, elas têm uma leve desconfiança que isso não existe. (Mas não importa.)





Quarta-feira, Dezembro 14

Tump! Ouch!

Este é um tropeço. Essa é uma palavra que ninguém nunca teve dúvida do que significa. Parece que a idéia de tropeço já está nos líquidos da placenta, durante a gravidez. Sabemos por instinto, mesmo porque se nossas mães ensinassem na prática, morreríamos nessa mesma hora. Um tropeço de grávida pode ser fatal para o bebê.

O tropeço é assim, essencial. Ao contrário dos silogismos filosóficos e das incompatibilidades da tecnologia, não é necessário muito desenvolvimento (ou seja lá como quiser chamar) para ter um tropeço. Deputados e demagogos, aqui está o que há de mais democrático para vocês prometerem nas próximas eleições. Afinal, qualquer um que tenha duas pernas é passível de um tropeço. Não que seja comum ver por aí galinhas tropeçando, mas elas tem boas possibilidades de ir pro chão. Assim como ciclopes, gigantes,anões, babuínos: o tropeço não tem nenhuma espécie de preconceito. A única restrição é anatômica. Por algum tipo de sorte, peixes, tartarugas, cobras e insetos não tropeçam. Deve ter alguma dessas explicações de Darwin ou coisa parecida.

Em muitas das vezes, esse acidente/incidente aparentemente ingênuo consegue derrubar o infeliz. De qualquer maneira, em qualquer posição que se caia, é sempre humilhante passar por isso. Mais por vergonha do que pela dor da queda, tentamos ao máximo evitar e, se isso não foi possível, esconder essa cena ridícula. Ninguém gosta de sair tropeçando por aí, nem sente orgulho por isso. Enfim, é a maneira mais patética pela qual alguém pode cair. Seria mais verossímil (até mesmo mais digno) colocar a culpa em um empurrão inoportuno, no excesso de álcool no sangue ou qualquer coisa do gênero. Que cena poderia ser mais ridícula do que um jogador de boliche ou uma bailarina caindo sozinha? Existem milhares de motivos que podem fazer alguém cair, e de todos eles, o tropeço é o pior, o mais boçal, o mais infantil.

Talvez seja isso. Quantas vezes, quando criança, não tomamos um baita tombo bobo? Choramos muito, xingamos o chão e até paramos de brincar. Só por um momento, porque no dia seguinte o corre-corre começa tudo de novo. E de novo vem o maldito enroscar de calcanhares. O ritual vai se repetindo até que vamos crescendo, e depois de grandinhos, aprendemos a ter mais cuidado e não sair por aí com tanto ímpeto. Quem de nós nunca teve um medo apocalíptico de cair quando era pequeno?

Isso sem contar os outros incidentes estúpidos, igualmente patéticos. Todos parentes do tropeço, eles são a miséria da raça humana. Quando Deus amaldiçoou Caim, fez ele tropeçar umas dez vezes até este conseguir se apartar da terra divina. Se N.Armstrong tivesse tropeçado quando pisou na Lua (supostamente em transmissão de TV nacional), a história teria sido outra. O erro banal é ao mesmo tempo vergonhoso e desprezível. São tantos que ninguém mais liga para eles. De vez em quando um estúpido comete o erro de escrever um texto só sobre isso e outro estúpido, o de começar a ler. Como se diz, 'a porta é serventia da casa', pode sair. Mas cuidado com o degrau.





Quinta-feira, Dezembro 8

Impressão minha ou os caras do Manowar eram fãs de He-Man?

   





Domingo, Dezembro 4

Para viver, basta ter medo da morte, não é preciso desejar a vida.
Mas para morrer, não basta apenas ter medo da vida
É preciso desejar a morte.