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Quarta-feira, Julho 27
Ling Li Ling
"Ling Li Ling era um chinês
Que acordava às dez pras seis
Tinha uma loja de pastel
De rapadura e pão de mel
Caldo de cana e amendoim
Café com bolo de aipim
E uma torta de maçã
Que tinha gosto de hortelã. pode?
O chinês era lelé da cuca
Que coisa maluca
Assim eu nunca vi
Mal sabia falar português
Pedaço de queijo, é tllinta e tlês
Ling, Ling, Ling, Ling
Ling li ling ô ô
Ling, Ling, Ling, Ling
Ling li ling ô ô"
(Trem da Alegria, ¿1985?)
Já dizia um velho ditado oriental, 'não cuspirás para cima, pois cairá na testa'. E eles parecem sempre ter razão. Mais uma vez, a vítima do próprio tiro é o ocidente. Os garotos do Trem da Alegria mal sabiam que dez anos depois teriam de engolir tudo o que cantavam/dublavam. O que antes era musiquinha pra criança agora virou pauta de negociações internacionais. Hoje, está todo mundo com medo do Ling Li Ling e seu potencial de crescimento.
Melhor pra ele que, acordando às dez pras seis desde aquela época, conseguiu construir sua própria riqueza. Antes, o Ling Li Ling só tinha uma barraquinha de pastel, agora ele está na Promocenter, na Liberdade, na máfia dos fiscais, no SENAI ou então vendendo tênis no meio da rua. A lista de aprovação do vestibular tem cada vez menos Yoshidas e Matsumotos e cada vez mais Zhus e Yengs. Ainda estamos sob a carcaça da economia americana, mas recheada de transistores chineses. Afinal, quem compra os títulos do governo americano são eles, e quando decidirem parar com a brincadeira, aí acabou o jogo.
Os valores orientais já aparecem na propaganda (um bom termômetro da cultura). Um grande jornal já anuncia seu espaço de classificados com o 'ano do rato', fazendo referência clara ao horóscopo chinês. Em outro vídeo, aparece uma mulher treinando chinês na frente do espelho para perguntar sobre seu banco na China.Talvez o chinês fosse lelé da cuca mesmo, onde já se viu regime comunista em plena década de oitenta. Nem mesmo a poderosa união soviética pdoe resistir ao conflito com o ocidente, que dirá de um gigante agrário que mata suas crianças por não poder sustentá-las. Planejada ou não, a manobra deu certo e a abertura controlada aos mercados salva o barco. Mais uma vez, largar os escudos foi a melhor decisão.
Boa escolha mesmo é a dos bixos de letras que escolherem chinês no ranqueamento. Todo mundo ria do Ling por causa do 'tlinta e tlês'. Daqui pra frente, eles é que rirão das nossas tentativas de pronunciar milhares de tons, sílabas com Bemol e Sustenido, além da nossa realfabetização em ideogramas. Tudo isso para poder disacutir o embargo do frango brasileiro com o governo chinês, a renovação do contrato de exportação de aço, negociar a valorização artificial do Yuan ou então reavaliar com os alemães o projeto da linha Shangai-Beijing
A sabedoria milenar se confirma mais uma vez. As crianças do trem da alegria cuspiram pra cima e agora é só uma questão de tempo para a gosma cair na cabeça de todos nós, com taxa de importação e reajuste cambial. Negócio da China é ficar esperto desde já porque em breve teremos a antiga potência (lembrou do Sun Tzu?) se erguendo novamente. E, sobretudo, preparar as habilidades em negociação, porque senão o 'pedaço de queijo' vai ser 'tlezentos e tlinta e tlês'
(Atendendo a pedidos, agora vocë pode acessar o histórico do Plunct Plat Zum clicando no risco no final de cada post. Em breve, colocarei um botão especial, ao lado dos comentários para facilitar a organização.)
ps.2: Por que as teclas do computador da FFLCH estáo todas trocadas?
Quarta-feira, Julho 13
Lembra? Você se lembra?
(verde grama crua carne quente leito)
É bom voltar aos sulfites em branco e rabiscos intermináveis. Fetos de pensamentos entalhados na folha, rusticamente férteis. O desafio agora é criar a capa de um blog que virará livro. E, para isso, nada melhor do que um lápis na mão e muitas folhas na mesa. O método Off-line ainda é o mais eficiente para criação. Não imagino como seja rascunhar no Paintbrush, no Corel ou no Illustrator. É um prazer trabalhoso, principalmente quando se trata da idéia perfeita de publicar um blog.
As vantagens são infinitas. Não é necessário nenhum plug-in do JavaScript para ver o texto. Não depende da velocidade de conexão para ler, nem de energia elétrica ou de configuração de protocolo TCP/IP. Dá pra ler no ponto de ônibus ou no metrô e você pode abrir/fechar quando quiser. A página é a mesma e sempre está lá, independente do humor do servidor. E quando já tiver terminado de ler, pode trocar num sebo ou usar de apoio para a mesa bamba.
Estes features me parecem serem upgrades indefectíveis da sua versão online. Ainda podemos chorar sobre as páginas de um bom livro, mas somos incapazes de amolecer um disco rígido com nossas lágrimas. O telefone deixa a voz horrivelmente nasal, a foto no monitor parece mais uma máscara travestida de realidade. Por mais que se tente, =)))))))))))) ainda não substitui um sorriso de verdade e nem um olhos-nos-olhos. É incrível ver como os transistores envenenaram os seres humanos. Cremos cada vez mais nas representações das coisas, principalmente quando ela está em pixels. No estacionamento do shopping, somos bem recebidos por um simpático falante-cancela. No telemarketing, digite 62576176157465148 em ordem crescente hexadecimal para falar com alguém de carne e osso.
Inventa-se mais e mais devices para obstruir o caminho que existe entre nós e aquilo que desejamos. A cada passo que damos, pula um pop-up interpelando sem motivos nossas ações. NInguém precisa da boa vontade de um processador para jogar bola, ter uma boa conversa, beber com os amigos ou simplesmente fazer um rascunho. Muito menos para ler. A tecnologia vai formatando nossos hábitos, começamos a gostar do 800x600 e esquecemos de ver as coisas que valem a pena. Tudo isso sem falar do interminável mundo dos cheiros, que desaparecem todos com um clicar de olhos. O que é da comida sem o seu cheiro? O que é da natureza sem o seu cheiro? O que é dos corpos unidos e ardentes sem os seus cheiros?
Somos lobotomizados pelos zumbidos estáticos que a eletricidade faz, em seus veios gélidos de metal. Somos agora os zumbis do aprogresso. Servimos a um senhor maior e invisível, sem rosto e sem forma, todo-poderoso, onipresente, que nos faz ajoelhar diante dele até quando não precisamos. Disse o verbo "faça-se o RGB", e o RGB se criou. Lançai suas redes ao mar, mas não esqueçam do USB. O servidor é o meu pastor, e nada me enviará
Scripts ateus, que tirai os prazeres do Mundo, logai por nós.
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