|
Domingo, Março 27
O jornal é como o bandejão: a gente sabe que só tem porcaria mas sempre vai na esperança de que alguma coisa tenha mudado. Sempre alimentamos aquela ingênua crença de que um encantamento mágico tenha engolido o trânsito da marginal ou adoçado a TPM da sua namorada. Ainda vem uma pontinha de expectativa antes da decepção amarga.
Lula se embanana com a Reforma Ministerial, ainda mais com os PePinos que tem para a pasta das Comunicações. Como se não bastasse esse, ainda tem o PePino da Câmara, que é vomitado pela maioria dos Peixes Grandes do jornalismo. Vomitada também foi a MP 232, que deixou toda a imprensa, o setor terciário e o agronegócio com cara de quem comeu e não gostou.
Pra azedar a salada, chegou Donald Rumsfeld com a maior cara de pamonha declarando que não quer monitorar o espaço aéreo da América Latina, apesar de ter vindo conhecer o SIVAM. O mesmo pamonha também quer meter a colher na briga de Síria e Líbano. Explosão mata 4 na Macedônia. Tiroteio no Rio de Janeiro (mas que novidade). Morrem 120 rebeldes no Iraque só essa semana. E o pessoal da FEBEM resolveu agitar a panela de pressão.
A gororoba não pára por aí. Mal de Chagas resolve se hospedar no caldo de cana. A tal de Terri Schiavo não pode morrer (ou sobreviver) em paz. Quem também está pra virar presunto é o Papa Karol Wotjla. A missionária Dorothy já foi na frente enquanto os grileiros do Pará continuam soltos por aí. Barril de petróleo com preço mais salgado do que nunca, taxas de juros apimentadas.
E na hora do almoço a gente vai engolindo tudo, a comida ajuda a notícia descer goela abaixo. O tempero é o mesmo de ontem, de semana passada e de sempre. A bandeja também. De vez em quando eles trocam a carne (geralmente Filé de Tiranossauro Rex) mas o salitre ainda está lá para dar a (falsa) sensação de saciedade. É tudo tão intragável que às vezes dá vontade de vomitar tudo ou largar no prato mesmo.
Pelo menos meu time tá em 1º no Paulistão...
Sexta-feira, Março 11
(Definitivamente, servidores não gostam de mim...)
Gosto de São Paulo e gosto de São João
Por 13 anos da minha vida (excluindo-se a primeira infância), eu tenho andado na contra mão. Só eu ligava (e ainda ligo) a TV no horário político, enquanto todo mundo desligava (e ainda desliga). Na escola, tinha que escrever em letra manuscrita como os outros alunos porque a professora não corrigia minha letra de forma.
Sempre era goleiro na educação física porque na linha era um desastre (ah, mas que eu fechava o gol, fechava!) e davam risada da minha cara quando eu dizia que o presidente do Brasil era o Bill Clinton. Tinha uma caixa do Dungeons&Dragons mas não tinha ninguém pra jogar. Queria aprender escocês enquanto todo mundo estudava inglês.
Tudo foi se desenrolando dessa maneira, como naquelas profecias inevitáveis do Édipo Rei ou então do Efeito Borboleta.
E daí que eu não pareço com ninguém com quem ando? Só porque não rima, não significa que o verso não é bom. Quanto tempo gastei inutilmente tentando dar explicações para si mesmo.
Adoro política mas não sei nada sobre a dialética materialista. Odeio o PSDB porém isso não me faz um marxista revolucionário. Afinal, quem é contra-direita mas não é de esquerda, é o quê? Não gosto da democracia contudo rejeito controles tecnocráticos de Estados Totalitários. E também amo filosofia. Falam que não serve pra nada e que não dá dinheiro, o que só revela o preconceito idiota dos que o dizem. Ninguém discute Sartre na rodinha de amigos, mas também não é a rodada do Paulistão que responde aos nossos questionamentos.
Gosto de tipologia e jornalismo. Não me importo que chinês é a língua do futuro: eu quero aprender nórdicas e irlandês. Até pretendia uma carreira em Relações Internacionais, mas o gosto pelo audiovisual me levou a estudar línguas. Psicanálise pura é a ferramenta para enxergar o que não se esconde, apesar de ninguém ver. E eu não acho graça nenhuma em beber: pensando bem, tem diversões bem mais legais do que isso.
A palavra 'Mercado de Trabalho' não faz nenhum sentido pra mim, mas o pensamento estratégico é imprescindível. Vou te atacar do Alaska pro Vladivostok. Acompanho a bolsa de valores do capitalismo, essa mãe assassinada pelo próprio filho, o Proletariado. Prefiro história militar do que sócio-política (mas...pra que serve ela mesmo?).
Ouço Balão Mágico e Arnaldo Antunes. Que Chico Buarque, que nada. O verdadeiro gênio é Hélio Zaskindi. Mas não tente discutir arte comigo. Além de não ter paciência, sou extremamente analfabetizado no assunto.
Resolvi que não abrirei mão das minhas preferências para parecer com um personagem da Malhação ou com uma foto de Outdoor. Pensando assim, eu continuo andando na contra mão, mesmo quando a via é mão dupla. Acho que gosto de São Paulo e gosto de São joão...
|