Segunda-feira, Janeiro 31

Salve, salve galera!



Ninguém estava com saudades do Pedro Bial e seus chavões ridículos. Se a televisão me deixou burro, muito burro, como diria Branco Mello, dessa vez perdemos completamente a racionalidade. Está de volta na programação brasileira o Big Brother. Sinônimo de mediocridade explícita, virou expressão demolidora nas aulas do prof. Nunes (cuja humildade era inigualável!). Devia ser assim que se fazia em Roma Antiga com o Coliseu. Enfim, a Lei do Pão e Circo parece se afirmar de vez, não só como direito romano, mas sim como Teoria Universal.

A Endemol, que fez pacto com o Cão (quer dizer, com a Globo...ah, dá no mesmo!), profanou a obra de George Orwell (que aliás é indefectível) e simplesmente roubou seu título pra colocar no seu programainha audacioso. Aliás, ambos com o mesmo arzinho conspiratório de tirar do sério. A gente sempre tem uma atração inexplicada por conspirações. O Código da Vinci veio pra mostrar isso. Uma bela ficção conspiratória porém tão provável quanto a história do Homem do Saco ou da Loira do Banheiro.

Talvez seja esse o segredo da enorme influência. A pseudo-sensação de poder do telespectador em ver os pobres participantes pela TV.

Ou talvez não. É mais óbvio acreditar que a Teoria Universal do Pão e Circo prevalesceu novamente.

O formato popularesco da diversão soterrou o bom senso do público, numa avalanche decadente que começa na Malhação e termina no fundo do poço (o desafeto em questão). E os jornalecos interpolados no meio das novelas não diminuem o tamanho do desastre. Pra mim, eles fazem parte da catástrofe, viciando com notícias ao invés de despertar o senso crítico.

Também não basta o argumento punk-straight-edgista de que na TV só tem porcaria. Depois de O Aprendiz, de Roberto Justus, e de Hoje é Dia de Maria, ficou provado que é possível fazer televisão, sem apelar para o populacho, com um bom grau de sucesso.

Com um rival destes, é claro que a descatracalização vai perder feio. O que já virou moda mesmo é a 'bigbrodiação coletiva' (copyright Nunes, o Cruel©). A maior prova disso é que esta já é a quinta edição do reality show. O que significa que a técnica lobotomizante já foi usada quatro vezes, com sucesso.

Quatro vezes fomos cobertos com vomito cultural diário. Quatro vezes fomos intimados a renunciar nossa razão. Quatro chances que perdemos de assistir a um bom jornalismo (acreditem, ele ainda existe). Quatro oportunidades desperdiçadas de terminar um bom livro. E em todas as quatro vezes rendendo altos índices de audiência e algumas capas de playboy, sem contar os infindos recheios de revistas de fofoca. Se estivesse vivo, Göering ficaria babando de inveja..


Desse jeito, quem vai pro paredão, é o bom senso.
E não importa quem ganhe o jogo, quem perde somos nós.





Quinta-feira, Janeiro 20

"I mbrat an bhrollaigh ghil-se
ní bhiadh an dealg droighin-se
dá mbeith, a Mhór bhéildearg bhinn,
an éindealg d'ór i nÉirinn.
San mbrat-sa níor chóir do chur
acht dealg d'fhionndruine uasal,
nó dealg iongantach d'ór cheard,
a Mhór bhionnfhoclach bhéildearg. .."


Alguém quer estudar irlandês comigo? É mais legal do que aula de química.





Quarta-feira, Janeiro 12

"Descatracalização" ameaça virar moda. Você vai aderir?

Matéria ridícula. Nem sei como um jornalista se propõe a escrever essa merda. Aliás, o jornalismo é um 'catracalizador' potencial. Vai pegar a moda...hunf. Eu nem consegui pensar a redação direito, só tentando pronunciar mentalmente a palavra D-E-S-C-A-T-R-A-C-A-L-I-Z-A-Ç-Ã-O. A discussão é completamente confusa, difusa, profusa e propõe argumentos desconexos.

Também tem uma cópia sem vergonha do texto de apoio da redação, escrito pelo grupo artístico (vulgo panelinha) Contra-Filé. Mania de gente que se chama de 'artista' falar tudo ao contrário só pra confundir tudo e mostrar que sabe. "O controle biopolítico do capital e do governo sobre os cidadãos." para mim soou mais como uma conspiração mundial dos E.T.'s do que ...hmmmm...do que...-hnk-, do que eles estão falando afinal?

No final, nem mesmo o jornalista sabe do que está falando, e assume isso cinicamente: "Ficou em dúvida? Então deixe para lá. Solte as amarras, livre-se da burocracia, ignore os controles impostos pelo sistema... E descatracalize-se". E ainda usa verbos no imperativo, para disfarçar que não sabe. Quem eles pensam que são para me mandar (/sugerir) me livrar da burocracia (eu nem sou cidadão, de que burocracia eu vou me livrar?) ou ignorar os controles do sistema.

Aliás, erro de lógica. Ignorar os controles seria se abster de reação e permanecer catraquizado, ao contrário do que a 'chave de ouro' sugere.

E ainda ousa a me mandar deixar pra lá. Como se eu fosse permitir uma mediocridade destas passar despercebida (ainda continuo uma pessoa renitente). Hunf.

Ah, mais um recado... ei jornalista, tem gente querendo trabalhar. Se você não tem mais competência ou mais pretextos para ficar no seu troninho, libera o espaço pro próximo viu. Tem gente mais inteligente do que você querendo garantir a vida.