Quarta-feira, Julho 28

"Este fim de semana foi "previsível". Eu havia marcado uns passeios especiais mas, como que para me "sabotar", comi além do que queria e fiquei me sentindo um pouco mal. Aí deixei de fazer meus passeios, fiquei em casa, isolada. Eu sei que essa "crise" teve uma causa específica, que era fazer algo para não sair de casa. Parece às vezes que quero me privar de ser feliz... Tenho medo de algumas coisas, acho que ainda estou começando a aprender a dizer "não"... Vai ver eu não queria mesmo sair de casa, mas como não soube dizer "não, obrigada" ao convite, arranjei outra razão para não ir. Quero me tratar da minha fraqueza, não usá-la como muleta para encobrir minhas outras falhas! Vou assumir aos remetentes dos convites que não estive presente em razão de algo mais profundo que o meu mal-estar, pois ele não foi a causa, foi uma conseqüência, um argumento muito xexelento para minha ausência!!!! Assumo o que quero e o que não quero como uma pessoa inteira, não como uma coitada, pois eu sou uma mulher perfeita, iluminada por tudo o que há de bom no mundo!!! É separando os "sim" dos "não" que vou viver sem ficar o tempo todo no "talvez"! Que é isso, eu sou capaz de dizer o que quero e o que não quero fazer! Eu tenho autonomia para escolher as coisas que me fazem bem! Que idéia besta essa, de achar que não depende de eu querer! Depende do quê, então? Eu hein!"


Escrito por Joyce Peu, do Grupo Sinto Muito






Terça-feira, Julho 20

Um pouco de charge






Quarta-feira, Julho 14

13 de Julho. Dia internacional do Rock. Não sou muito de datas comemorativas, mas essa merece um texto (além do mais preciso treinar meus "talentos" escritos). Não uso a expressão 'rockeiro' porque ela é muito vaga e também exprime uma visão ignorante (porém não intencional) do que nós somos.

Ouvir rock sempre foi um privilégio. Principalmente hoje, em tempos de 'egüinha pocotó', 'dança da bundinha', 'baba baby' e outros desastres que chamam de música, ouvir rock é uma garantia de estar a salvo da párafernália que anda tocando por aí. Quando digo Rock, não me refiro a bandinhas que fazem pose de rocker-malandro só porque fala palavrão (Charlie Brown Jr). Ou a bandinhas que aproveitam o embalo da moda para vender sua imagem e depois desaparecem da mesma maneira que apareceram.Quando digo Rock, não me refiro a um determinado grupo de bandas.

Rock é um espírito. Rock é um estado de motivação. Não por acaso, ele é um verbo em inglês (To Rock). Rock é uma energia que flui dentro do corpo. E nada de conflitos entre filhos do Rock. A maior prova de que todos vieram do mesmo pai é o fato de Headbang (termo do metal) ser traduzido como Bate-Cabeça(da cultura Punk). Portanto, briguinhas infantis e acusações improcedentes são completamente inúteis (lembrando sempre da Enantiodromia: um ódio é também um amor)

Ao tocar agitradamente seu piano junto com uma bateria, Bill Halley nunca pensou ter criado um estilo que perduraria por anos e anos. Ao transmitir essa energia para sua música, outros entenderam o recado e continuaram o trabalho. Enquanto os Besouros agitavam em Liverpool, Pedras Rolavam nos Estados Unidos. Estava começando uma avalanche chamada Rock'n'Roll. Joplin cantava roucamente enquanto o Creedence Clearwater revivia a juventude da época, que decolava para o Paraíso com o Led Zeppelin. Sintonizando com a onda, o AC/DC eletriza enquanto o Deep Purple joga Fumaça na Água.
Neste ritmo animal, The Eagles e Scorpions embalam a platéia junto com Dire Straits. O Pink Floyd veio pra nos mostrar as 'pixações na Parede'. Sem esquecer de Hendrix com seus riffs e Morrison, abrindo Portas para nós. Hey Ho, Let´s go. Alguns garotos de Nova York criam o Ramones e, seguindo seu estilo tosco (em inglês, punk), vem o Sex Pistols. O Misfits dá um pouco de peso ao som e, junto com ele, o Kiss toca Rock'n'Roll a noite inteira. Mais tarde nasce a Donzela de Ferro que, com o Metallica, blindam de vez o estilo pesado. Megadeth e Black Sabbath também fazem companhia reforçam a cena. Com Armas e Rosas, Axl e Slash agitam a platéia na Paradise City que foi o Rock in Rio. Anos depois, de calças largas e blusa xadrez, o Grunge vem, Fedendo Como o Espírito Adolsecente. Cobain Veio Como Ele Era, e gritou as angústias de uma geração. Seu baterista não ficou pra trás e assumiu a liderança do Pearl Jam.

É. Depois de tantos solos, tantos grooves e tantos riffs, é difícil não se impressionar com a história. Isso sem contar as dezenas de bandas que não foram citadas (porque senão daria um texto gigantesco). Depois de tantos acordes, de tantas evoluções e revoluções e emoções dá pra entender como tem gente que ainda está no 'pocotó pocotó pocotó'?





Quinta-feira, Julho 8

Kangeiko = treino de inverno

18:00. Malas povoando o hall em frente ao dojo. Ansiedade povoando os corações dos kohai. Serão 21 horas de concentração, 8 horas de treino efetivo. Presença do Sensei Sadao, kodan que dá nome à academia. As palavras foram poucas; o aprendizado, muito. Depois dos 3 treinos, duas sessões de sono (?) e muito suor, o resultado: cansado, mas feliz.

Cada segundo de esforço valeu a pena. A cada utikomi, um passo a mais para uma vitória infinita. Corações em chamas, respirações ofegantes, golpe após golpe, kiai enchendo sonoramente o ar. Toda energia concentrada unicamente no instante, na execução do movimento em todos os seus detalhes.

Só agora pude entender porque se escreve 'Descanse em paz' nas lápides. Porque quem cansa, é porque está vivo. E muito bem vivo. o descanso é uma morte temporária. O descanso é improdutivo, é desinteressante, não traz nada de novo. O descanso é uma pequena eternidade infinita, um branco, vazio, sem cor nenhuma. O descanso impede-nos de conhecer ( e superar) os próprios limites, nos impede de reconhecer até onde podemos ir e do que somos capaz. O descanso é tão lento, tão lento, que a gente faz parado. Só não é retrógrado porque até o retrogrado anda (para trás, mas anda). Parado não se conhece nada, não se vê nenhuma imagem nova, nenhuma palavra nova, nenhuma outra idéia. [Ainda vou escrever um texto só para isso].
O cansaço, o suor, o vitae, o sangue vermelho e quente, fazem parte do Ki que habita o Humano e que permite-o construir cada vez mais.

Após tudo isso, devo corrigir a frase: cansado e feliz. Afinal, por que estas duas coisas deveriam ser contrárias?