Sábado, Setembro 26

Veredicto

Como já se sabe, no momento o PPZ é réu de uma decisão fatal (mas não inédita): ele deve ser julgado à pena de morte ou não? É bem verdade que apareceram muito mais testemunhas em favor dele do que contra. No entanto, existem muitas evidências que conduziriam à sua execução sumária. Um servidor que é criminosamente inflexível, não permite salvar páginas de html em outros formatos (XML por exemplo), não tem recursos nada de recursos (trackbacks, RSS, moderação de comentários, etc) além de digitar o próprio texto e limita-se a proporcionar uma edição de "Template" bem sem vergonha. Resumindo um pouco o relatório, o Servidor do Blogger deveria ser processado por crime de lesa-sã-consciência! É engraçado ainda pensar que o PPZ estava em um outro servidor ainda pior ( supostamente o Blogspot, já que eu mesmo não escrevi qual nos posts de outrora ...) e que, por esse motivo, foi transferido para o Blogger, que foi comprado pela Globo.com nesse meio tempo de vida do PPZ.

"Mas se as ferramentos do Blogger são tão ruins assim, por que é que você ficou com essa hospedagem por tanto tempo assim?", poderia me perguntar alguém - e eu não saberia como responder. Ou melhor, até existem motivos para isso, mas eles nem são tão bons assim para justificar a estagnação visual-técnica do PPZ. Mas agora, com a imolação sacrificial do PPZ, acho que posso também executar um outro ritual de purificação para completar esse holocausto (no sentido religioso do termo) e confessar que o PPZ, na verdade, estava hospedado em um tipo de servidor "barriga de aluguel". Naquele tempo, para ter uma conta no Blogger, era preciso pagar um dízimo ou para o UOL ou para a Globo.com - e a nenhum dos dois eu não podia me dar ao luxo. Então tinha que me contentar com os sites gratuitos que ofereciam "templates miguxxxux" e ferramentas de edição de texto ridículas. Até que, um dia, uma amiga me convida para escrever um post para um blógue que ela tocava com mais uma outra amiga nossa e que tinha o nome simpático e irônico de AMMA (uma abreviação para Associação das Mulheres Mal Amadas).

Como o próprio nome já diz, era um blógue de menina que contava sobre as peripécias e desastres (mais os segundos do que os primeiros!) das luluzinhas (assim era como as mulheres eram apelidadas por elas) com seus pretês (outro nome bem capicioso para se referir aos homens). Pela amizade e respeito que eu tinha por essas duas amigas - mas também porque o blógue era bom demais da conta, com sacadas bem sarcásticas - resolvi aceitar o convite e escrever um post comparando meninas-Barbie e meninas-Susi. Um pouco inesperadamente, não só as meninas gostaram do que eu escrevi mas também o público do blog (é bem dificíl se colocar no universo feminino, principalmente quando se tem poucos 16 anos e nenhuma experiência na vida), de modo que elas me deixaram então como membro eletivo permanente da redação do blógue, que bombava com as tragicomédias românticas das duas garotas. Eu só deixava uma colaboração por vez ou outra, quando elas estavam ocupadas demais com o trabalho para postar, já que elas escreviam infinitas vezes melhor sobre o assunto do que eu. Por algum acaso gauche do destino, o blógue acabou aparecendo por cinco minutos em uma edição do Altas Horas em 2004 e a partir daí começou a sua dissolução. Chegavam cada vez mais toneladas de comentários e a maioria deles começava a ter palavras de baixo calão e ofensas gratuitas. Foi aí então que o blógue começou a se degenerar, Krija e Quel davam cada vez menos as caras enquanto cediam o espaço para outras "colaboradoras convidadas" até o dia em que Krija resolve abolir o blógue de vez.

Depois de todos os lamentos, protestos e reclamações, o que sobrou foi um pequeno blóguezinho que estava alojado ali e era tocado por mim, depois de receber a permissão das "donas da quebrada" de poder hospedá-lo humildemente no mesmo servidor. No começo ele até tentava ser "cool", com uma barra lateral de links e cheio de bagulhinhos que, com o tempo, foram caindo até que o PPZ assumiu aquele visual - mmm...minimalista? - que tinha até então. Quase simultaneamente nascia também o 366, um blogue pessoal inaugurado no mesmo servidor pela antiga dona do AMMA, mas que também não durou muito mais do que 8 meses (se bem que, hoje em dia, muitos relacionamentos nem a isso chegam ...). O 366 também se foi junto com a dona e, mais uma vez, o PPZ permaneceu ali onde estava, principalmente por causa da comodidade de se ter um servidor "pago" (que ficou paulatinamente ultrapassado) e também de não precisar mover o arquivo para uma nova hospedagem.

Mas o tempo de mudar chegou e, como em toda a mudança, não é possível encaixotar tudo pra levar para a casa nova: muita coisa precisa ficar para trás. Apesar da sensação meio nostálgica de ficar olhando para os objetos velhos e pensando "nossa, mas como eu gostava disso aqui, isso me lembra...", é preciso guardar apenas o necessário para continuar a vida nova e dar um pouco de espaço também para o devir. Afinal, sempre guardamos uma porção de coisas porque talvez "um dia iremos precisar delas" quando, de fato, raramente elas saem das estantes empoeiradas onde as colocamos como uma encarnação material de um passado que não deve ser esquecido pois ele, supostamente, irá prevenir potenciais erros no futuro.

Mas, ao mesmo tempo, é de uma iconoclastia infantil querer atear fogo em todas as nossas "velharias", como se essa atitude de destruição apaixonada pudesse de fato apagar toda o nosso passado e nossa memória. Mesmo porque, é sempre uma experiência de reconstrução olhar para o passado e dizer, olhando para as velhas fotografias: "Olha só, mas que cabelo ridículo! Como eu pude ser assim por tanto tempo?" ou então "Você lembra de quando a gente ainda andava de Fusca? Como as coisas mudam né ... ". Esse recomeçar do zero, como o Nullpunkt do pós-guerra-alemão, pode criar a falsa impressão de que se pode abdicar da história com um botão de Reset, o que obviamente não funciona tão bem em seres humanos como funciona para máquinas. Ora, se não é possível retornar ao ponto original do Big-Bang e muito menos exterminar tudo como um buraco negro onipotente, o que fazer então?

O juízo final do PPZ não consegue encontrar pecados suficientes para enviá-lo ao inferno da inexistência cibernética. Muitos posts (e os comentários mais ainda) guardam sementes de intriga e matutação que precisam ser retomadas e refecundadas (mas sobre esse tema eu já falei demais em outras vezes). Por outro lado, não há meritos e nem virtudes gloriosas que justificam a elevação do PPZ ao Éden ou à Valhalla dos guerreiros culturais, que tombaram na batalha de criar algum contéudo realmente novo (e não apenas improvisado com um Ctrl-C-Ctrl-V).

Nesse meio termo, o PPZ vai ficar então fadado a um purgatório virtual. A página não será apagada, continuará on-line até que algum técnico do Blogger o encontre e resolva apagá-lo por "inatividade" a fim de "otimizar os serviços" do servidor. Mas, apesar de não ser demolida, a página também não receberá novos investimentos, nem reformas e nem material novo. À mercê da inevitável erosão no mar digital, alguém ainda assim pode topar com a página e aportar nela durante poucos minutos, até descobrir que não há vida inteligente que possa sustentar as esperanças do astronauta digital.

Quem quiser, ainda pode passar por lá , olhar para a casa velha, caindo aos pedaços, dizer "nossa, você se lembra? era aqui que morava ..." e também aproveitar para entrar nos cômodos onde estão guardados os comentários, que não consegui trazer para a casa nova. Como também não quis colocá-los na rua, para o lixeiro levar embora, resolvi deixá-los encaixotados ali, onde ninguém vai mexer e pouca gente vai entrar mesmo. Se quiser ver alguma coisa, pode entrar à vontade, mas não vou colocar isso em outro lugar porque só vai ocupar espaço e também não é coisa de uso diário. Em contrapartida, consegui dobrar o texto original das postagens em arquivos PDF e armazená-los no disco virtual da nova hospedagem. Apesar do inconveniente de não se poder acessar os links e muitas imagens se perderem, ainda é possível ler a porção de texto da maneira como foram publicadas.

A propósito, o endereço da casa nova é esse: http://ppz2.blog.com. Com exceção do acabamento, que está um pouco mais arrumado, sem muito da bagunça anterior, a proposta continua sendo a mesma. Tem um pouquinho mais de coisas do que antes, mas o conforto deve ser aquele mesmo de sempre! Só há os inconvenientes de que, com essa arquitetura, eu não posso mover nada, tenho de usar tudo como está. E também tem essa propaganda ridícula, aí bem na frente. Mas, apesar disso, a localização é boa e em ambiente agradável. Estou esperando a sua visita! Do endereço antigo, só vão ficar algumas lembranças. Tudo bem vai, de vez em quando vou pegar o assunto de falar da casa velha, mais ou menos como aquelas vóvós que tomam chá com bolo de tarde e desembestam a prosear sobre "aqueles tempos". Mas dá uma passadinha por lá pra tomar um café. E pro chá de cozinha do novo teto , traga um comentário e um amigo também. Até lá!





Quinta-feira, Setembro 17

Recadinhos irônicos dos sachês de açúcar União:

"Diga menos não"
"Apaixone-se mais pela mesma pessoa"





Segunda-feira, Agosto 24

Ouvi falar que nesse fim-de-semana vai sair um filme novo baseado no livro do Paulo Coelho entitulado "Verônica decide morrer". Definitivamente, deve ser mesmo um sinal dos tempos e pensei também se o PPZ não deveria morrer. Depois de tanto tempo sem mexer em nada desse blogue - que mais parece um papel de rascunho virtual (pelo menos não vai ocupar espaço das minhas já lotadas estantes) - fiquei realmente pensando se ele ainda realmente cumpre as funções que deveria ter quando nasceu. Em um dos posts de anivesário do blógue - inaugurado originalmente em 2004 em um outro servidor coletamente pirado! - eu já tinha ponderado sobre a idéia de acabar com tudo isso, já que o tempo para postar era muito escasso e as ideias já não eram nada espontâneas, com odeveriam ser, pelo menos segundo minha concepção original. Mas agora, depois de ter terminado de me dedicar ao Tagebuch aus Tübingen, volta novamente a pergunta: devo mesmo continuar a tocar um blogue tão sem pé nem cabeça como o PPZ, com essa formatação horrorosa e completamente despido de quaisquer recursos virtuais, nem se fale então de web 2.0? Vai valer a pena apagar quase cinco anos de rastros autobiográficos - como já me disseram - correndo o risco de não poder se recuperar nunca mais o espírito dionisiaco non-sense do Plunct Plat Zum? É verdade mesmo que existem muitas coisas aqui que fazem parte da minha história pessoal e intelecutal - isso é, se eu tivesse algum intelecto. Mas, vai valer a pena eu continuar tocando um blog cujo servidor oferece ferramentas muito mais que medíocres para gerenciar o texto e, volta e meia, arremessa meus textos em um buraco negro misterioso? E se tudo isso não prosseguir mesmo, vai ficar pendurado na internet como lixo virtual até que um dia os caras do Blogger decidam fazer uma revisão e exterminar meu querido bloquinho de papel? Como se pode ver, existem mais coisas entre o Terra e o Uol do que sonham nossa vã filosofia. Essa decisãoainda está por ser tomada. A única coisa que é certa é a necessidade de poder fazer fluir meus impulsos quase patológicos de escrever seja o que for: pseudo-poemas, tentativas de contos, xingar jornalistas incompetentes, fazer comentários nerds sobre tradução, brincar de redigir bulas imaginárias, arriscar alguma coisa sobre política e futebol...Tenho que confessar que tenho sentido, nesses dias, um impulso infanticida de assassinar o meu blog. Mas e aí que me lembro do fato de que, na verdade, é ele que me escreve, e não o oposto. Por um lado, tenho de admitir que é difícil lidar com algo que não é feito "para dar certo". Por outro, a necessidade de colocar a mão na massinha e brincar com essa meleca chamada linguagem me deixa apegado a algo que já tem um prazo de validade duvidoso.Eu queria mesmo era ir com vocês, mas já que eu não posso, boa viagem e até outra vez - quando o destino que não é fabuloso do PPZ estiver decidido.





Sexta-feira, Fevereiro 27


Mapas Urbanos - São Paulo - Parte 1


Mapas Urbanos - São Paulo - Parte 2



Mapas Urbanos - São Paulo - Parte 3







Domingo, Fevereiro 8

um véio cabrero vive dizendo que a música traduz e explica o brasil. como todo matuto, ele tem razao sem precisar gastar muito verbo. Eu até prosearia com prazer sobre isso, mas nao hoje. Hoje é só pra repetir uma cancao que ouvi por ai, mas n me lembro mais quem é que cantou: "é carnaval..é carnaval, eu fico triste quando chega o carnaval".





Terça-feira, Janeiro 27

Acho que, definitivamente, vou eleger os comentários dos leitores do Estadao como minha diversao preferida!

Sobre a polemica da deportacao de Battisti e a retirada do diplomata italiano do Brasil, escreve um leitor assim: (...)enfim não acredito em capricho dos Italianos, lá a LEI existe, coisa que aqui fica muito a desejar.

Tenho que confessar que foi uma das coisas mais hilariantes que já li em toda a minha vida até hoje =D E o sujeito ainda teve a convicção de escrever a palavra „lei“ em capitulares estufadas de orgulho, com ose a Itália fosse o país da ordem onde todos respeitam as regras e sequer ousam fazer nada que não esteja prescrito nelas.

Finalmente vou escrever algo inédito, que não faço há anos:

KKKKKKKKKKKKK! =D


Lula, devolve esse cara logo para eles e aproveita e chuta a bunda desse diplomata também, que você já mata dois coelhos com uma cajadada só!






Terça-feira, Dezembro 2

Eu acho que a humanidade é uma coisa até bem bacana - até ter a estúpida idéia de ler os comentários dos leitores do Estadao Online. Aí eu me lembro que eu divido um planeta com esse tipo de pessoa e entendo porque nunca chegaremos em um "mundo melhor".