um véio cabrero vive dizendo que a música traduz e explica o brasil. como todo matuto, ele tem razao sem precisar gastar muito verbo. Eu até prosearia com prazer sobre isso, mas nao hoje. Hoje é só pra repetir uma cancao que ouvi por ai, mas n me lembro mais quem é que cantou: "é carnaval..é carnaval, eu fico triste quando chega o carnaval".
Terça-feira, Janeiro 27
Acho que, definitivamente, vou eleger os comentários dos leitores do Estadao como minha diversao preferida!
Tenho que confessar que foi uma das coisas mais hilariantes que já li em toda a minha vida até hoje =D E o sujeito ainda teve a convicção de escrever a palavra „lei“ em capitulares estufadas de orgulho, com ose a Itália fosse o país da ordem onde todos respeitam as regras e sequer ousam fazer nada que não esteja prescrito nelas.
Finalmente vou escrever algo inédito, que não faço há anos:
KKKKKKKKKKKKK! =D
Lula, devolve esse cara logo para eles e aproveita e chuta a bunda desse diplomata também, que você já mata dois coelhos com uma cajadada só!
Terça-feira, Dezembro 2
Eu acho que a humanidade é uma coisa até bem bacana - até ter a estúpida idéia de ler os comentários dos leitores do Estadao Online. Aí eu me lembro que eu divido um planeta com esse tipo de pessoa e entendo porque nunca chegaremos em um "mundo melhor".
Sexta-feira, Outubro 24
´Cause this winter is gonna be hard
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O rio me cortava fluído e silencioso como uma cicatriz em "i". Será que era eu que o olhava ou era ele que me olhava?
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É maravilhoso e intrigante descobrir como pode haver tantos mundos no mesmo mundo
Sábado, Setembro 20
Antes era só especulação, mas agora está dado mais um passo rumo à constituição do diretório de pesquisas do Grupo de Matutagem Acadêmica intitulado "Literatura, semiótica e futebol".
Recentemente, foi confirmada uma suspeita minha que sempre rondou minha mente mas nunca tive em mãos provas suficientes para fundamentar algo que neblinava meus pensamentos apenas vagamente. Agora posso afirmar com todas as sílabas que Zè Miguel Wisnik é, sim, um semioticista enrustido em professor de literatura e cancionista. Para começo de conversa, o conceito de "teia de recados" empregado por ele (em "Machado Maxixe", se não estou enganado) é visivelmente uma versão brasileira da polifonia de Bakhtin. Para quem já assisitiu uma aula sua sobre o conto "O recado do morro", de Guimarães Rosa (isso deve ter disponível em algum DVD da TV cultura), sabe bem que essa formulação faz muito sentido.
Mas agora, enfim, em "Veneno remédio: o futebol e o Brasil", encontra-se finalmente a prova cabal de que esse senhor tem uma forte veia semiológica, que só não se manifesta por completo devido à sua configuração intelectual - apesar de rigorosa e densa - um tanto "dionisíaca", para dizermos assim. Pois bem, vamos agora direto ao ponto que importa:
"Assim, nenhum jogo arbitrado é tão sujeito à interpretação quanto o futebol. Que critério unívoco seria capaz de decidir de uma vez por todas, por exemplo, se uma jogada é ou não é 'caso para cartão'? E nesse caso, amarelo ou vermelho? 'Mão na bola' ou 'bola na mão': o árbitro é um hermeneuta que deve dirimir judiciosamente, em tempo real, a nebulosa questão da intencionalidade (houve ou não houve, não propriamente o fato objetivo, mas a sombra quase religiosa de uma culpa?). Assim também a pergunta sobre se houve ou não 'a intenção de atingir o adversário', com a agravante de que este pode ter sido atingido sem ter havido intenção, e pode não ter sido atingido e mesmo assim ter havido a intenção. Sem sair do labirinto obscuro da psicologia instantânea, passamos para o labirinto lógico: choque intencional (é falta, choque não intencional (não é falta), não-choque intencional (é falta - 'jogo perigoso'), não-choque não intencional (não há falta, o jogo prossegue)."
(José Miguel WISNIK, Veneno remédio: o futebol e o brasil. p. 107)
Antes de tudo, sobressai a preocupação de tratar o futebol em si, e não outro fato paralelo ao futebol (sociedade, economia, política, etc.). E nada parece mais intríseco ao próprio futebol mesmo do que a decisão do juíz comentada aqui. A "hermenêutica psicologizante" que caracteriza o juíz mal esconde o suporte lógico do "labirinto" de marcar a infração. O juíz pode até se comportar, nesse momento, como um hermenêuta, mas Wisnik assume claramente a postura de um semiólogo (o fato de o ponto de partida do livro ser um artigo "fortemente influenciado pela voga semiológica dos anos 70" não é um mero acaso") ao articular duas variáveis (choque físico e intenção) com suas respectivas negações. Dá até pra montar um "quadrado semiótico do suejto da falta (futebolística, e não narrativa!)" [correndo o risco, agora, de ser apedrejado por muita gente!] :
Quinta-feira, Agosto 21
Arqui 90 - 5. Carrapicho
A coisa foi mais ou menos assim: tive - de repente - uma vaga lembrança de um desses hits dos anos 90 que até se assemelhava um pouco com axé, mas soava bem diferente de tudo que tocava então. Só consegui trazer apenas flashes soltos da banda (eu tinha quase certeza que era algo que parecia com axé) em programas de televisão populares, até que uma pessoa que admiro muito (mais ainda depois disso!) me lembrou o nome: Carrapicho.
Depois de uma rápida googleada, pude retomar à lembrança essa preciosidade retrô que andava flutuante no meu subconsciente (É, essa é uma evidência forte de que Freud devia ter razão!). Da música, eu só lembrava mais ou menos do "tiquetiquetiquetá" do refrão e da temática um pouco apologética da letra, que falava algo sobre natureza, amazônia ou coisa do tipo. Mas é claro que agora posso ler a letra todinha e relembrar - não sem um certo gosto de dever cumprido - mais uma obra de arte semi-esquecida (ou 'potencializada', para os semio-buddies) dos anos 90.
Esse hit - aliás, como 99,98% dos hits - tocou viciosamente por um tempo muito curto (¿valores de impacto?), e depois desapareceu da mesma maneira súbita que ganhou fama. O curioso é notar que a maioria esmagadora dos comentários ao clipe da banda no YouTube não estão em português. Pois é, isso deve ter feito muito mais sucesso no no exterior do que aqui. Outra prova disso é o fato de haver somente dois artigos na Wikipedia sobre o Carrapicho: curiosamente, um em inglês e outro em finlandês (!).
O clipe é, no mínimo, curioso. A seqüência de imagens deixa bem claro o tom de apologia à natureza e ao espírito amazônico. Só faltava ver o Blanka do lado de uma palhoça em uma das tomadas, mas para a minha decepção, isso não aconteceu. Se eles queriam divulgar a cultura local, parece que conseguiram, mesmo que às vezes as imagens pareçam um pouco caricaturais (mas um gringo dificilmente consegue perceber isso!). Eu poderia até pensar que foi o José de Alencar que dirigiu a gravação do clipe, se não fosse pelo deslize coreográfico do refrão, que é uma imitação explícita e bem mal-feita de "É o tchan". Apesar disso, dá pra ver exatamente que esse foi só um detalhe mercadológico, para poder ser veiculado no Domingo Legal, enquanto todo o resto do clipe e da canção se esforçam bastante para exaltar a essência amazônica. Se não é solene, pelo menos fica divertido. Para quem quiser relembrar a primazia poética desse achado, aí vaí a letra:
Tic Tic Tac Carrapicho
(x2)
Bate forte o tambor
Que eu quero é tic tic tic tic tac
(x2)
É nesta dança que meu boi balança
E o povão de fora vem para brincar
(x2)
As barrancas de terras caidas
Faz barrento o nosso rio mar
Amazonas rio da minha vida
Imagem tão linda
Que meu Deus criou
(x2)
Fez o céu a mata e a terra
Uniu os caboclos
Construiu o amor